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04 fevereiro 2012

Ildo Silva

Jogo palavras ao vento
Busco vencer do tempo
Ingrato sentimento
Xeque-mate para a vida

Perdi? Não, venci
Viver é o maior ganho
Tão único e verdadeiro
Viva em detalhes
Viva, simplesmente, a vida

(Ildo Silva) 

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Nelson Rodrigues

A Mulher em forma de Poesia

Quem és tu que me rouba os sonhos,
Que aparece sem pedir licença,
Que me descompassa o coração?

Quem és tu mulher em forma de poesia,
Que faz a minha noite virar dia...
E o meu mar virar sertão?

Por ti, me imagino insólito a navegar...
E mesmo ante a calmaria desse mar,
Torço por um grande e forte maremoto.

Pois, quem sabe a torrente te lance toda pra cima de mim
E tu mesma assustada e molhada, hei de falar nos seus olhos assim:
Abrace-me, não temas... Te salvo.

(Nelson Rodrigues de Barros)
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Eu e a minha janela (poesia de: Nelson Rodrigues de Barros)


Da minha janela vejo de tudo...
O elegante e o vagabundo,
O bacana e o moribundo,
E vou vendo a vida passar...

Da minha janela vejo solidão,
O mendigo e a escuridão.
Os apaixonados e o fanfarrão...
E tudo parece mudar.

Da minha janela vejo loucos,
Pessoas com pressas, outras nem tanto.
Vejo caminhos se cruzando...
E vejo a vida passar...

Da minha janela vejo desespero,
Festas, abraços e enterro...
Ouço gritos em meio ao silêncio...
E vou tentando me encontrar.

Da minha janela vejo amigos:
Sinceros, falsos, deprimidos.
Vejo sonhos na lata do lixo
E o mundo que insiste em encantar.
Da minha janela penso nela,
Confundo riquezas com mazelas,
Me lanço abismado na favela
E até esqueço de jantar.

A noite se avizinha na fresta,
O sol se despede na selva,
As luzes se acendem sem vela
E começo a me ausentar.

Mais um dia chega ao fim,
Fecho a janela que para mim
É o que me faz ser assim...
Lugar que preciso sonhar.

(Nelson Rodrigues de Barros) 

A ave que se apaixonou pelo círculo de cores.

Haicai de Ildo Silva a partir do conto "A ave que se apaixonou pelo círculo de cores."


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Vivia em seu descampado... uma ave, meio diferente, estranha aos olhos humanos desapercebidos da beleza natural. Contudo, passava por ali um solitário viajante em seu mundo íntimo, conflitando com suas emoções entre cores e desbotados sentimentos, passados e futuros, buscando no presente aquilo que poderia mesclar o que antes fora vivido com o que por fim, desejava viver. Talvez um sonho proibido, talvez um que estivesse a prever. Seus pincéis e tintas na mochila já gasta por pintar sonhos alheios, às costas, quando viu aquela ave ali em movimentos. Num primeiro olhar lhe pareciam completamente diferentes de tudo que já havia visto, mas se deteve por um instante naqueles movimentos e conseguiu ver que em essência era um bailado da vida em movimento, ela entoava em seu corpo a vida que lhe corria dentro.

Não se fez de rogado, o viajante tirou de sua mochila os seus apetrechos e recolhendo alguns gravetos, montou uma escultura que mais parecia um catavento sem pontas, apenas círculo e coloriu com todas as cores que lhe agradavam e que acreditava combinar com aquela ave que havia lhe encantado.

Após pintá-lo colocou sua escultura colorida ali em meio aos galhos do lugar e partiu em meio ao cerrado.

Aquele círculo colorido chamou a atenção da ave que em seus movimentos, nada elegantes e seu farfalhar de asas exuberantes, estes sim, chegou perto do círculo e ficou a olhar, tentando descobrir a que se prestava aquela estranha forma ali em tão bonitas cores. E o círculo de cores ali, apesar de colorido, parado, estático, não se mexia afinal não havia vento e naqueles tempos então, a aridez era extrema.

A ave para chamar a atenção do seu amigo novo, começou a fazer um bailado à sua frente com aquelas pernas compridas, e nada do círculo se mexer. Então a ave se pôs a balançar sua cabeleira rala de um lado a outro a frente, ao agora o que se tornara para ela um companheiro todos os dias. E assim fazia aquela ave, todos os dias, ia até o seu amado círculo colorido, fazia lá o seu bailado estranho para ver se ele se mexia, mas nada, o círculo não saia do lugar, quieto e quase sem vida se não fosse suas cores lindamente pintadas pelas mãos do artista.

Em certa manhã, a ave já entristecida com o seu companheiro sem vida, pôs-se em sua direção, contudo dessa vez, sua raiva era tão intensa que seus movimentos ganharam uma melodiosa passada muito bem delineada e ritmada no calor do inconformismo da paixão. Decidida a acabar com o relacionamento a ave deu-lhe uma bela e dolorosa bicada, e foi assim que o círculo, fez um giro e meio e a ave então, se afastou e não acreditando no que via, voltou e dessa vez com um pouco mais de cuidado, deu-lhe outra bicada, e o círculo dessa vez, fez um giro mais suave e melodioso, exibindo todas as suas cores. A ave não cabia em si de tanto contentamento, seu amado estava vivo e só dependia de algumas bicadas para assim se mostrar. Sorriu ... Será que ave sorri? ... Bom assim foi, e ela então, passou a ir todos os dias em direção ao seu amado círculo e lhe dar algumas bicadas, umas mais leves, outras mais intensas e assim o círculo sorria, um sorriso doloroso, diga-se de passagem, mas sorria em seus movimentos, infinitamente belos em suas cores lindamente pintadas pela mão do artista solitário.

E ave agora já não estava mais sozinha em seu descampado, havia agora seu círculo de cores por quem tinha se apaixonado e aquele amor era tanto que o círculo começou a se esforçar em seus giros e um dia girou com tanto amor por sua amada ave que suas cores se fundiram e emitiram um reflexo lindo num branco perfeito traduzindo a paz que tanto o círculo e aquela ave em seu cerrado buscavam. Assim foi neste baile de movimentos e cores que um amor entre seres tão distintos aconteceu... a ave estranha e seu apaixonado e apaixonante círculo de cores ... Ah! lindamente pintado pelas mãos do artista! ... que isso seja bem lembrado! ... Emoção que se coloca em tudo que se faz ... Cria vida!

(Kátia de Souza)

Momentos


03 fevereiro 2012

"O Eco fala. Ouvimos?"

Texto inspirado no texto "Medo De Mim Mesmo?" - De Gutemberg De Moura ... grata amigo pela inspiração ... beijos meus.

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Um caminho em meio ao Nada ... e o que é o Nada? Se Nada fosse não seria algo que eu poderia reconhecer, mas reconheço ... É o Nada por onde caminho!!! Que seja então ... - Olá Nada!!! Em eco reverbera minha voz que bate entre as rochas do meu corpo ... mas não seria Eu Luz? ... Sou pedra!!!! Pedra inerte que anda pelo caminho do nada e sem pés ... Um corpo gélido e sem vida que fala e conversa, caminha e grita pro nada ... Louca insana em profundo delírio chama ... por si e Nada ... Nada ... Nada!!!! Apenas eco neste vazio sem fim ... Mas sinto o vento a soprar minhas reentrâncias de pedra que Sou, sinto frio ... Sinto, então não sou Pedra!!! Diga-me quem Sou? Diga-me, diga-me!!! E só ouço ainda o mesmo Nada e o eco que o vento leva e traz ... da minha admirável voz ... Assim Vou pelo caminho Nessa busca infinita neste Nada gritando por Mim ... Um dia talvez eu saiba quem Sou ... Quem sabe eu possa ouvir ... O Eco é quem fala!!!

(Kátia de Souza)

Link para o Blog onde se encontra o texto do amigo Gutemberg:

"Emigrando"

Imagem do Google

02 fevereiro 2012

"Guerreira da Luz"


Das dores que carreguei na vida e carrego na alma partida, 
só a mim cabe sentir, nenhuma palavra tem o poder de traduzir
nada e nem ninguém sabe do que se passou e passa dentro de mim ...
Do escudo que carrego a minha frente e da espada à minhas costas,
empunhados, são ambos muitas vezes, mas apenas confesso em minha ousadia e coragem vestida em minha armadura de carne, pois, os ossos já são fluídos e por isso me basta a armadura e confesso porque assim eu Sou ... Verdade plena que não se nega Ser ... Eu Vivo e me faço Ver...

Os olhos já são plácidos por isso me basta o punho que se arma diante da injustiça e dos vícios ... Condenada sou todos os dias, julgada a todo segundo, mas diante dos meus lábios nenhuma palavra ou emoção escapa porque meus dedos são luzes por mais que vejam as sombras que a mim pertencem e assumo, mas não sou apenas parte sou tudo, o todo se manifesta em tudo em mim; palavras, gestos, ações, olhar, silêncio, loucura, sensatez e muito mais ...

Não estou para provar verdade alguma, mas para ser a verdade a mim com doçura e brandura que tem morada garantida aqui, sem jamais negar a minha força que esta, está neste tudo que sou ... Se me vês nas sombras do caminho, limpe tuas vidraças porque não são os meus olhos que e enxergam somente, mas os teus que não querem ver a bravura que sou na luz que me ilumina e a paz que emano diante da vida ... Se não te agradas os meus gestos e queres ainda assim caminhar ao meu lado, não me aceite, mas me ame e para tanto vá em busca deste que tanto falo e descobrirás que Sou e tu também o é, representante dele e assim conseguirá compreender a Verdade que habita aqui ...

Sou a Minha Verdade e não a nego, assuma a Tua a verás com teus próprios olhos a luz que sou, mas verás as minhas sombras e se quiseres te mostrarei minha negritude em escuridão, mas somente o farei se me amar porque eu já te vejo em tudo neste todo porque simplesmente Eu Amo Você ... Ama-me?! ... Te espero ...

(Kátia de Souza)
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